Protege Química: o creme que substitui a capa plástica
Proteção contra intoxicação por nicotina no calor do verão da colheita do tabaco
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"Quando a gente fala de tecnologia no agro, a gente já está cobrindo substrato, solo, manejo, maquinário… mas e o cuidado com o produtor?"
— Júlia
Os Painelistas
Júlia
CEO da Protege Química. Desenvolveu com sua sócia um creme protetor contra a intoxicação por nicotina na colheita do tabaco, aprovado pela Anvisa e reconhecido como EPI.
A Conversa
A Protege Química nasceu de um problema regional muito específico: a região Sul do Brasil responde por 98% da produção nacional de tabaco, e os produtores sofrem com a doença da folha verde do tabaco — intoxicação crônica por absorção de nicotina pela pele durante a colheita, causando náuseas, vômitos e tontura por até três dias. A única proteção disponível até então eram capas plásticas, impraticáveis no calor do verão (época da colheita), o que levava à não adesão e a 'soluções' caseiras sem eficácia comprovada, como leite ou carvão ativado.
Júlia e sua sócia desenvolveram um creme protetor cosmético que cria barreira contra a absorção de nicotina pela pele, permitindo trabalho normal na lavoura sem o desconforto das capas. O produto já foi aprovado pela Anvisa, reconhecido como EPI (equipamento de proteção individual) pelo Ministério do Trabalho, é patenteado e está há três safras no mercado, com 11 mil tubos vendidos neste ciclo — vendido via dois canais principais: indústrias fumageiras diretamente e varejo de insumos agrícolas.
O mercado endereçável é substancial: mais de 280 mil pessoas trabalham com tabaco só no RS, 600 mil no Brasil e 60 milhões no mundo. A empresa está buscando agora expandir a tecnologia para outros tipos de cultivo, identificando uma lacuna que o mercado de tecnologia agro geralmente ignora: cuidado direto com a saúde do produtor, e não apenas eficiência de solo, manejo ou maquinário.
Insights para Considerar
EPI reconhecido reduz risco jurídico
Cooperativas e indústrias fumageiras da região Sul deveriam considerar oferecer o creme como parte do EPI padrão fornecido ao produtor — já é reconhecido oficialmente pelo Ministério do Trabalho, reduzindo risco jurídico de exposição do trabalhador.
Saúde ocupacional: nicho de baixa concorrência
O caso ilustra uma categoria de inovação pouco explorada no agro: saúde ocupacional do produtor, distinta de eficiência produtiva — empresas de agtech deveriam considerar esse nicho como espaço de menor concorrência.
Produto-mercado já testado
A validação já em três safras e 11 mil tubos vendidos indica produto-mercado testado, não conceito — reduz o risco de adoção para quem avalia comprar ou distribuir, comparado a soluções ainda em fase de piloto.
Modelo de venda dual replicável
O modelo de venda dual (indústria fumageira + varejo de insumos) é replicável para outras soluções de proteção do produtor em culturas com risco ocupacional similar — vale mapear que outras culturas têm problema equivalente de exposição.
Frases de Impacto
"A colheita do tabaco… ocorre no verão. Imagina o produtor já trabalhando na roça, debaixo de sol quente, tendo que se vestir de capas plásticas."
"Quando a gente fala de tecnologia no agro, a gente já está cobrindo substrato, solo, manejo, maquinário… mas e o cuidado com o produtor?"









