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Insetos na alimentação: a proteína do futuro

Do 'bicho grilo' ao suplemento de cavalo de competição: a jornada de quatro anos da Ybynsect na Expointer


Insetos na alimentação: a proteína do futuro — foto 1
Mauro Ávila (CEO e CMO, Ybynsect)Mediação: Ariel Berti (Sebrae RS)

"Se o negócio é tão bom, que tem tantos nutrientes, é tão maravilhoso assim, o ideal é criar em escala e botar para produção."

— Mauro Ávila

Os Painelistas

Foto de Mauro Ávila

Mauro Ávila

CEO e CMO da Ybynsect, empresa gaúcha de proteína de inseto (Tenebrio molitor) para nutrição animal, referência em proteína hipoalergênica para pets.

Foto de Ariel Berti

Ariel Berti

Diretor do Sebrae RS. Mediou a conversa sobre o mercado de insetos na alimentação e as barreiras regulatórias e culturais do setor.

A Conversa

Esta foi a conversa mais longa e detalhada da Arquibancada, revisitando e aprofundando a apresentação de Mauro Ávila já feita na vitrine da manhã. O ponto de partida foi a mudança de percepção do público: há quatro anos, na primeira participação da empresa na Expointer, o setor de proteína animal tradicional via a Ybynsect com desconfiança ('bicho grilo'); hoje, Mauro é convidado para bate-papos e degustações no mesmo evento — sinal de que a barreira cultural, embora ainda real, vem diminuindo de forma mensurável.

A conversa detalhou o ciclo biológico do Tenebrio molitor com precisão pouco vista em outros pitches: ciclo natural de dois anos, reduzido para seis meses em condições controladas; larva colhida entre três e quatro meses; fase de pupa de oito a dez dias; besouro produtivo por cerca de um mês e meio. A produção hoje soma 'alguns milhões' de besouros em aproximadamente 400 alojamentos (bandejas), com plano de escalar 10 vezes a área após mudança para uma nova instalação de 450 m² em Sapiranga — e ambição de automatizar o manejo com maquinário importado da China, já que peneiramento manual se torna inviável em escala de milhares de bandejas.

Um momento central foi a degustação ao vivo de um brownie com 10% de farinha de inseto: em teste sensorial com engenheira de alimentos do IFRS-Erechim, 85% dos provadores não notaram diferença de sabor com 10% de inserção, mais de 50% preferiram o sabor com 15%, e 85% afirmaram que comprariam se houvesse aprovação regulatória para consumo humano. Mauro explicou que a barreira legal para alimentação humana no Brasil ainda não existe (diferente da alimentação animal, regulamentada desde 2021-2022 para seis espécies de inseto) — a Anvisa tem cerca de 21 pedidos de análise represados, com previsão de três a cinco anos para posicionamento, em processo comparado por Mauro à exigência de testes com população brasileira que também ocorreu com vacinas.

O painel fechou com dados nutricionais e um mercado inesperado: a proteína, hipoalergênica e com 87% de digestibilidade, tem seu principal cliente hoje no segmento pet (mercado de US$ 40 bilhões/ano), especialmente cães com alergias alimentares severas — incluindo um caso relatado de remissão de sintomas em cão que não tolerava mais nenhuma outra fonte de proteína. Mauro também revelou planos de desengordurar o inseto (de 32% para cerca de 10% de gordura) para desenvolver suplemento energético para cavalos de competição, já que o fígado equino não processa bem gordura em excesso.

Insights para Considerar

1

Alimentação animal já é regulamentada

A certificação para alimentação animal já existe desde 2021-2022 para seis espécies de inseto — empresas de nutrição animal que ainda não avaliaram esse insumo estão ignorando uma categoria já regulamentada, não apenas uma promessa futura.

2

Horizonte de três a cinco anos para humanos

Para alimentação humana, a expectativa realista de aprovação da Anvisa é de três a cinco anos — investidores ou empresas de alimentos que avaliam esse mercado devem tratar o horizonte de humanos como aposta de longo prazo, e o mercado animal (já liberado) como a via de receita imediata.

3

A barreira não é o paladar

O teste sensorial mostrou que inserção de até 15% de farinha de inseto não compromete — e pode até melhorar — a percepção de sabor em produtos como brownie; empresas de alimentos que buscam fonte de proteína alternativa sustentável têm aqui validação de que a barreira é regulatória e cultural, não de palatabilidade.

4

Mirar nichos que pagam mais

O mercado pet (US$ 40 bilhões/ano) se mostrou mais disposto a pagar por proteína hipoalergênica de qualidade do que o mercado de commodity tradicional — startups de proteína alternativa deveriam mirar nichos de maior disposição a pagar antes de competir diretamente com farinha de peixe ou soja em ração de baixo custo.

5

Um ajuste, um mercado novo

O plano de desengordurar a proteína para criar suplemento para cavalos de competição mostra como ajustar uma única variável do produto (percentual de gordura) pode abrir um mercado adjacente inteiramente novo — empresas de insumo animal deveriam mapear outros mercados adjacentes viáveis com pequenos ajustes de formulação.

6

Subproduto subexplorado

A gordura do inseto, rica em ômega-3 e ômega-6 poli-insaturados, tem aplicação potencial tanto em cosméticos quanto em alimentação humana — um subproduto do processo principal que ainda está subexplorado comercialmente pela própria empresa.

Frases de Impacto

"Se o negócio é tão bom, que tem tantos nutrientes, é tão maravilhoso assim, o ideal é criar em escala e botar para produção."

— Mauro Ávila

"A digestibilidade… na faixa de 87%, porque tu não vai encontrar nenhuma outra proteína animal com mais digestibilidade que nem essa aí."

— Mauro Ávila

"Vocês são a fim de falar de inseto um pouquinho? Vocês acharam que iam vir para a Expointer para a gente falar de inseto?"

— Ariel Berti

"Se o pessoal soubesse o percentual permitido para tomates, por exemplo, de ratos em tomate, eles iam ficar apavorados."

— Ariel Berti
Apresentação
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