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O que o robô e o drone já fazem na sua lavoura

Payback em seis meses: como drones viraram operação financeira, não só ferramenta, no campo gaúcho


O que o robô e o drone já fazem na sua lavoura — foto 1
Matias Lazarotto (ADS Drones)Ricardo Santin (ABPA)Mario Eduardo Terres (Master Drones)

Os Painelistas

Foto de Matias Lazarotto

Matias Lazarotto

ADS Drones. Traz dados de payback e casos de aplicação de drones em culturas perenes e grãos.

Foto de Ricardo Santin

Ricardo Santin

ABPA. Contextualizou a automação na proteína animal diante das 30 mil vagas em aberto no setor.

Foto de Mario Eduardo Terres

Mario Eduardo Terres

Master Drones. Apresentou aplicações de drones autônomos na pecuária extensiva.

Foto de Luis Humberto Villwock

Luis Humberto Villwock

Head do Tecnopuc Celeiro Hub e mediador do painel.

A Conversa

Luís Villwock abriu o painel com dados de contexto que ajudam a entender por que drones deixaram de ser novidade: a categoria multiplicou por dez no Brasil recentemente, com o mercado global projetado em US$ 8,6 bilhões até 2032. Os números de aplicação prática já são conhecidos: redução de 30% a 60% no volume de pulverização, economia de água e defensivos, e eliminação do amassamento de lavoura, que pode custar até 5% da safra em aplicações convencionais.

Matias Lazarotto e Mario Terrês trouxeram o dado mais concreto para quem avalia investir: o payback de um drone de pulverização gira em torno de um ano para produtores com propriedades de 150-200 hectares, e entre seis meses e um ano para prestadores de serviço. Terrês detalhou um caso de olivicultura em que mapeamento 3D e aplicação direcionada às copas reduziram 20% o uso de produtos, eliminando desperdício nas entrelinhas — e destacou que a formação de pilotos, um gargalo real há poucos anos, hoje já conta com cursos presenciais e online disponíveis. Ele foi além, descrevendo drones 100% autônomos capazes de conduzir gado entre pastos, analisar o nível de estresse do animal e realizar contagem e vigilância patrimonial da fazenda.

Ricardo Santin trouxe a perspectiva do setor de proteína animal, onde o drone é apenas um componente de um ecossistema tecnológico mais amplo: robôs afiadores de facas em frigoríficos, sensores de áudio para prever doenças pelo som dos animais, IA para análise de fezes e identificação do sexo de pintinhos, e drones fiscalizando telhados de fábricas de ração para prevenir influenza aviária. Ele conectou tudo isso a um problema estrutural do setor — cerca de 30 mil vagas em aberto em aves e suínos — tratando automação como resposta direta ao apagão de mão de obra, e não apenas ganho de eficiência. O dado de agregação de valor reforça o argumento: exportar apenas os grãos consumidos por aves e suínos geraria US$ 3,5 bilhões; transformados em carne, esse valor sobe para US$ 12,5 bilhões.

O painel fechou com um alerta de escala trazido por Lazarotto: o Brasil comercializa cerca de dez mil drones agrícolas por ano, contra 167 mil na China — uma defasagem expressiva considerando que a área agrícola brasileira é maior. A leitura foi de oportunidade não capturada: o Brasil precisa deixar de ser visto apenas como "celeiro" e passar a entregar produto final acabado e tecnológico.

Insights para Considerar

1

Payback de ~1 ano como régua de decisão

O payback informado (~1 ano para produtor com 150-200 ha; 6 meses a 1 ano para prestador de serviço) é régua de decisão direta: proposta comercial que promete retorno muito mais rápido merece checagem adicional, e prazo muito mais longo pode indicar dimensionamento inadequado do equipamento para a escala da propriedade.

2

Culturas perenes primeiro

O caso de olivicultura (mapeamento 3D + aplicação direcionada às copas, redução de 20% no uso de insumo) mostra que o ganho de eficiência é proporcionalmente maior em culturas perenes com espaçamento entre plantas — pomares, vinhedos e cultivos similares deveriam ser priorizados na hora de avaliar onde a tecnologia entrega retorno mais rápido, antes mesmo de grãos de larga escala.

3

Falta de piloto não é mais desculpa

O gargalo de formação de pilotos, crítico há apenas quatro anos, já não é argumento válido para adiar adoção — hoje há cursos presenciais e online disponíveis. Quem ainda adia a compra "porque não tem quem opere" deveria reavaliar essa premissa, já defasada.

4

Automação na proteína é necessidade estrutural

A automação em proteína animal responde a um problema de mão de obra, não só de eficiência: as 30 mil vagas em aberto citadas por Ricardo Santin tornam a automação (robôs afiadores de faca abatendo 700 mil aves/dia, IA analisando som para antecipar doença) questão de viabilidade operacional — empresas do setor que ainda tratam automação como investimento opcional deveriam reclassificar isso como necessidade estrutural.

5

Mercado de drones subatendido no Brasil

A defasagem entre Brasil (~10 mil drones agrícolas vendidos/ano) e China (167 mil), apesar de área agrícola brasileira maior, indica mercado interno estruturalmente subatendido — distribuidores, fabricantes ou fundos que avaliam esse setor têm espaço de crescimento comparável, proporcionalmente, ao de mercados já maduros.

6

Pecuária extensiva: aplicação pronta

Drones autônomos conduzindo gado entre pastos e monitorando estresse animal já são tecnologia disponível, não conceito — pecuaristas de gado de corte extensivo, historicamente menos digitalizados que a agricultura de grãos, têm aqui uma aplicação pronta para adoção imediata.

Frases de Impacto

"O mercado global de drones deve atingir US$ 8,6 bilhões até 2032."

— Luís Humberto Villwock

"Drones reduzem de 30% a 60% a pulverização, economizam água e defensivos e eliminam o amassamento da lavoura, que gera até 5% de perda da safra."

— Luís Humberto Villwock

"O retorno do investimento do drone de pulverização para o produtor rural, em propriedades de 150 a 200 hectares, fica na média de um ano."

— Matias Lazarotto

"O Brasil tem área agrícola maior [que a China] e precisa deixar de ser visto apenas como 'celeiro' para ser o mercado que entrega produto final acabado e tecnológico."

— Matias Lazarotto

"Com mapeamento 3D aplicamos diretamente sobre as copas das oliveiras, reduzindo 20% do produto ao eliminar o desperdício nas entrelinhas."

— Mário Eduardo Terrês

"Já temos drones 100% autônomos que tocam o gado de um pasto para o outro sozinhos, analisando o nível de estresse do animal."

— Mário Eduardo Terrês

"Se exportássemos os grãos consumidos por aves e suínos como grãos, faturaríamos US$ 3,5 bilhões; como carne, faturamos US$ 12,5 bilhões."

— Ricardo Santin

"Temos 30 mil vagas abertas no setor que só serão preenchidas por automação e tecnologia."

— Ricardo Santin
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