Agro Gaúcho 2035: clima, dados e as decisões que constroem a próxima década
Novas culturas, água, dados e conectividade redesenhando o mapa do agro do Rio Grande do Sul até 2035
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Os Painelistas
Marjorie Kauffmann
Secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura do RS. Trouxe a agenda de bioenergia e pagamento por serviços ambientais no Estado.
Insights para Considerar
Bioenergia: o projeto mais concreto é o SAF
Bioenergia (SAF, hidrogênio verde/amônia verde, biogás/biometano) apareceu em praticamente todos os painéis do dia como fronteira de investimento — mas o projeto mais concreto e datável é o de combustível sustentável de aviação na Refinaria Riograndense. Empresas de logística, energia ou insumos deveriam mapear esse projeto como referência de escala e cronograma real, não como conceito distante.
PSA do arroz: dinheiro na mesa
O novo PSA para produtores de arroz com selo IRGA paga por hectare em função de práticas sustentáveis já adotadas — muitos produtores já praticam manejo de baixo carbono, segundo Isa Osterkamp, sem conseguir demonstrar isso formalmente. Produtores com selo IRGA podem estar deixando dinheiro na mesa por não terem se inscrito: vale checar elegibilidade antes do início dos pagamentos.
A lacuna de irrigação está na soja
A disparidade entre soja irrigada (~4% da área no RS) e arroz irrigado (quase 100%) revela onde está o maior espaço de crescimento para quem vende tecnologia ou financiamento de irrigação — a lacuna não é falta de tecnologia disponível, é a baixa adoção numa cultura de altíssimo volume (o RS saiu de 12,9 milhões para quase 20 milhões de toneladas de soja em dez anos).
Manejo de solo como pré-condição para seguro
O programa Terra Forte de manejo de solo foi citado como pré-condição — não coadjuvante — para melhorar acesso a seguro rural: solo com baixa retenção de água aumenta o risco de quebra de safra em qualquer estiagem, elevando o custo do seguro. Produtores que buscam seguro mais barato deveriam investir primeiro em manejo de solo, não tratar isso como frentes separadas.
Inovação como inclusão, não exclusividade
O alerta de Eduardo Condorelli sobre tratar inovação como exclusividade, e não inclusão, tem implicação direta de produto: solução tecnológica desenhada só para o produtor de ponta corre risco de não ser adotada pela maioria — que ainda vê avanço tecnológico em um debulhador de milho ou um trator com caixa alta e baixa. Startups que miram mercado de massa deveriam desenhar produto e comunicação para essa realidade, não só para o early adopter.
Joia: termômetro da adoção de IA
O lançamento do Joia (agente de IA do SENAR para produtores de todo o Brasil) é movimento institucional relevante de democratização de acesso a IA fora do circuito de startups privadas — vale acompanhar a adoção como termômetro de quanto o produtor médio está de fato disposto a usar IA no dia a dia.









