Bayer apresentaTrilha Agro by South Summit BrazilSouth Summit Brazil
11h30 – 12h00

O boi que vira garantia bancária: um novo ecossistema para o crédito rural

ABPA, Invest RS e Governo do Estado defendem dado individual do animal e subvenção à irrigação como caminhos para crédito mais barato e novos mercados internacionais

Francisco Turra (ABPA / Aprobio)Davi Teixeira (Subsecretaria de Irrigação — Secretaria da Agricultura do RS)Fabrício Foresti (Invest RS)Mediação: Fernando Rodrigues (Rural Ventures)

Foto do painel

Espaço reservado para imagem

"A rastreabilidade bovina individual permite que o próprio animal financiado sirva como garantia real do crédito, sem necessidade de comprometer a matrícula da propriedade."

Davi Teixeira

Os Painelistas

FT

Francisco Turra

Presidente do Conselho Consultivo da ABPA e do Conselho de Administração da Aprobio. Ex-ministro da Agricultura, acompanha a abertura de mercados internacionais.

DT

Davi Teixeira

Subsecretário de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS. Conduz o piloto estadual de rastreabilidade bovina individual.

FF

Fabrício Foresti

Diretor de Atração de Investimentos e Promoção Comercial da Invest RS, responsável pela agenda internacional de capital do Estado.

FR

Fernando Rodrigues

Fundador e CEO da Rural Ventures e mediador do painel, atuando na conexão entre tecnologia, dados e capital no agro.

A Conversa

Fernando Rodrigues situou o painel num movimento estrutural: financiamento público em queda, capital privado em ascensão — mas com exigências novas em torno de dados individualizados do produtor. Francisco Turra contextualizou historicamente: em 30 anos o Brasil foi de importador a um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, resultado de política pública somada a ganhos reais de produtividade em soja, milho, frangos e suínos. Ele alertou, porém, que a competitividade pode retroceder sem um seguro agrícola mais robusto.

Davi Teixeira apresentou o projeto-piloto de rastreabilidade bovina individual do Rio Grande do Sul — um dos temas centrais do painel. A proposta permite que o próprio animal rastreado sirva como garantia de crédito, sem necessidade de comprometer a matrícula da propriedade. Ele também detalhou a subvenção estadual de irrigação (20% de retorno direto ao produtor após instalação), que ajudou a elevar em 89% a área irrigada de soja e milho no Estado nos últimos seis anos.

Fabrício Foresti trouxe a perspectiva de capital internacional: além de bancos tradicionais, fundos soberanos — inclusive de países árabes — já financiam produção brasileira em troca de prioridade de compra, como estratégia de segurança alimentar e energética. A Invest RS abriu recentemente representação em Xangai e prepara evento na Embaixada do Brasil em Paris para atrair investimento internacional ao Estado.

O painel fechou com um alerta direto de Turra: investimentos bilionários no setor de carnes gaúcho — ele citou R$ 27 bilhões — enfrentam risco de judicializações que, na avaliação dele, carecem de fundamento, e defendeu que o setor abandone uma postura passiva diante de crises climáticas e regulatórias.

Insights para Considerar

1

Animal rastreado como garantia real

A rastreabilidade bovina individual descrita por Davi Teixeira resolve um problema de garantia que hoje trava crédito: o animal rastreado pode ser oferecido como garantia real sem comprometer a matrícula da propriedade. Com custo de identificação entre R$ 20-25 por animal e ágio de até R$ 250 pago pela indústria por animal rastreado, a conta já é favorável antes mesmo de considerar o acesso a crédito mais barato — pecuaristas de corte deveriam tratar isso como investimento de retorno rápido, não custo regulatório.

2

O gargalo da irrigação era capital, não tecnologia

A subvenção estadual de irrigação (20% de retorno direto na conta do produtor após instalação) elevou em 89% a área irrigada de soja e milho no RS em seis anos — crescimento que sugere que o principal fator limitante não era a tecnologia disponível, mas o custo de capital inicial. Produtores que ainda não irrigam deveriam checar elegibilidade antes de descartar irrigação por custo.

3

Fundos soberanos: capital paciente

A entrada de fundos soberanos (inclusive árabes) financiando produção brasileira em troca de prioridade de compra, citada por Fabrício Foresti, é fonte de capital estruturalmente diferente do crédito bancário: o retorno do investidor é garantia de fornecimento futuro, não juros. Cooperativas e produtores de grande escala têm aí uma via de capital paciente a explorar como complemento ao financiamento bancário.

4

Abrir mercado exige pressão contínua do setor

A abertura do mercado de frango na China (nove anos de negociação, segundo Francisco Turra) lembra que abrir mercado de exportação exige engajamento contínuo do próprio setor produtivo pressionando por avanço — não é ação pontual de governo. Associações que esperam passivamente por resultado diplomático estão subestimando o tempo e o esforço necessários.

5

Risco jurídico de R$ 27 bilhões

O alerta de Francisco Turra sobre risco de judicialização de um investimento de R$ 27 bilhões no setor de carnes gaúcho é sinal de risco jurídico que investidores institucionais avaliando o setor deveriam monitorar de perto — segurança jurídica, não só capital ou tecnologia disponível, entra na equação de risco.

6

Seguro agrícola desproporcional ao setor

A insuficiência do seguro agrícola brasileiro (~R$ 1 bilhão de aporte público para um setor de R$ 1,3 trilhão) foi apontada como principal fragilidade estrutural diante de eventos climáticos extremos — antes de expandir área ou investir em tecnologia, produtores em regiões de risco climático elevado deveriam reavaliar cobertura de seguro à luz desse descompasso.

Frases de Impacto

"Há cerca de 30 anos o Brasil era importador de alimentos. Em poucos anos deverá estar entre os maiores exportadores do mundo."

Francisco Turra

"É inaceitável que um investimento de R$ 27 bilhões no setor de carnes no Rio Grande do Sul possa ser colocado em risco por judicializações sem fundamento."

Francisco Turra

"A rastreabilidade bovina individual permite que o próprio animal financiado sirva como garantia real do crédito, sem necessidade de comprometer a matrícula da propriedade."

Davi Teixeira

"Nos últimos seis anos, a área irrigada de soja e milho no Rio Grande do Sul cresceu 89%."

Davi Teixeira

"A tecnologia instalada nas propriedades reduz o risco e, consequentemente, pode reduzir o custo do crédito para o produtor."

Fabrício Foresti

"Vemos fundos soberanos, inclusive de países árabes, financiando produção em troca de prioridade de compra como estratégia de segurança alimentar e energética."

Fabrício Foresti

"Conectamos tecnologia, dados e capital no agro."

Fernando Rodrigues

"O Brasil tem um rebanho bovino gigantesco e o animal ainda não é amplamente utilizado como lastro de crédito por falta de rastreabilidade individual."

Fernando Rodrigues
Apresentação
Bayer
Apoio institucional
Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Parceiro
Sebrae Startups
Local
Expointer
Apoio
Tecnopuc Celeiro HubInvest.RS
Parceiro de conteúdo
Dialetto