Quem constrói a máquina inteligente: a cadeia gaúcha da automação
SICT e FIERGS detalham como o Rio Grande do Sul quer virar polo de semicondutores e engenharia para sustentar a automação do campo
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"O agro é um conjunto vivo de requisitos. Não adianta simplesmente entender o requisito de um produtor da Alemanha ou da China. Precisamos entender a realidade brasileira."
— Vitor Gomes
Os Painelistas
Vitor Gomes
Gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema FIERGS. Coordena o Centro de Competência em Inovação, que reúne 22 empresas globais e gaúchas.
A Conversa
César Brunetto abriu propondo deslocar o olhar do impacto final no campo para o início da cadeia: quem projeta o hardware, os chips e a engenharia que sustentam trator autônomo, drone e agricultura de precisão. O Rio Grande do Sul concentra hoje cerca de 65% da produção nacional de implementos agrícolas, com mais de 560 empresas e 33 mil empregos — uma base industrial que o painel tratou como ativo estratégico ainda subaproveitado.
Lisiane Lemos concentrou sua fala em capital humano: o desafio do Estado não é apenas formar novos profissionais, mas requalificar quem já está na zona rural para lidar com IoT, blockchain e conectividade via satélite. Ela citou o RS Talentos como iniciativa central de retenção, além de resultados recentes de melhoria educacional (IDEB e ENEM) atribuídos ao uso de dados na gestão escolar.
Vitor Gomes trouxe a perspectiva industrial da FIERGS, destacando o Centro de Competência em Inovação — que reúne 22 empresas globais e gaúchas (como Novus, SLC Agrícola e Bosch) em cooperação internacional com Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Em dois anos, o centro formou 400 pessoas para a indústria e gerou 15 startups deeptech. Ele também apontou uma lacuna concreta: conectividade em áreas rurais de baixa cobertura, que depende de soluções como nanosatélites.
O painel fechou tratando de financiamento de longo prazo: a política estadual de semicondutores e robótica, com parceria entre HT Micron e Unisinos, projeta gerar R$ 1 bilhão e cerca de 5 mil empregos — mas ambos os palestrantes reforçaram que P&D relevante não se faz em ciclos de 12 meses.
Insights para Considerar
RS como fabricante, não consumidor
O RS concentra 65% da produção nacional de implementos agrícolas (mais de 560 empresas, 33 mil empregos) — isso reposiciona o Estado não como consumidor de tecnologia de automação vinda de fora, mas como fabricante estratégico. Empresas de componentes, sensores e chips que buscam parceria de manufatura no Brasil deveriam considerar esse polo antes de outros estados.
Conectividade rural trava toda a cadeia
A lacuna de conectividade em áreas rurais de baixa cobertura, citada por Vitor Gomes como dependente de nanosatélites, trava toda a cadeia de automação a jusante — de nada adianta trator autônomo ou sensor IoT se o dado não sai da propriedade. Startups ou fundos buscando nicho pouco explorado deveriam olhar para conectividade rural antes de investir em mais uma camada de hardware.
Requalificar quem já está empregado
O modelo de requalificação defendido por Lisiane Lemos parte de uma constatação específica: o RS tem o perfil demográfico mais longevo do país e muitos municípios pequenos, tornando insuficiente formar só gente nova — é preciso requalificar quem já está empregado. Isso muda o desenho de qualquer programa de capacitação no Estado: o público prioritário é o trabalhador já empregado, não o recém-formado.
Canal concreto para deeptechs
O Centro de Competência em Inovação da FIERGS/EMBRAPII formou 400 pessoas e gerou 15 startups deeptech em dois anos, reunindo 22 empresas (Novus, SLC Agrícola, Bosch, entre outras) em cooperação com Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Para uma startup deeptech agro em estágio inicial, é canal concreto de inovação aberta antes de validar produto sozinha no mercado.
P&D não cabe em ciclo de 12 meses
A política de semicondutores e robótica do RS, com HT Micron e Unisinos, projeta R$ 1 bilhão e 5 mil empregos, financiando seis meses de estágio na indústria — mas Vitor Gomes reforçou que P&D relevante não se faz em ciclos de 12 meses. Alerta direto para investidores e gestores que avaliam esse tipo de política pelo retorno de curto prazo: o horizonte de maturação precisa ser multianual desde o desenho, não ajustado depois.
Frases de Impacto
"O maior desafio do Rio Grande do Sul não é apenas qualificação. É também requalificação: reskilling e upskilling."
"Precisamos mostrar que tecnologia é para todos."
"O agro é um conjunto vivo de requisitos. Não adianta simplesmente entender o requisito de um produtor da Alemanha ou da China. Precisamos entender a realidade brasileira."
"Pesquisa e Desenvolvimento levam tempo. Não se faz P&D relevante em apenas 12 meses."
"Além do auditório, temos programação acontecendo na arquibancada, com pitches de startups e apresentações rápidas."
"Para o impacto acontecer no campo, alguém precisa pensar a peça, o hardware e a engenharia."









